Preciso saber

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Delação ou não delação?




Quase tudo o que tenho lido é contra esta figura juridica: os argumentos vão desde a invocação do regresso da bufaria pidesca, à cultura do não devemos chibar, mães a deitarem as mãos à cabeça sobre a educação dos seus rebento pois sempre os ensinaram a não ser queixinhas. Não as vi a dizerem que os ensinaram a ser honestos. Outra conversa!

Porém as pessoas que são contra são exatamente as mesmas que aplaudem as denúncias de violência doméstica, de abusos em crianças, de bullying, de roubos do que é de todos...

Fiquei confusa pois para mim delatar ou denunciar sempre foram  sinónimos pelo que antes de iniciar este post fui verificar o significado do termo delação.


Assim o Priberam online diz-nos:

de·la·ção (latim delatio, -onis, acusação, denúncia) substantivo feminino
1. Revelação de crime, delito ou falta alheia, com o fim de tirar proveito dessa revelação. = DENÚNCIA

O Dicio - Dicionário de Português online br
Significado de Delação substantivo feminino
Denúncia; ação de delatar, de denunciar um crime cometido por alguém ou por si mesmo; revelação de um crime, delito ou ação ilegal. Revelação; exposição ou divulgação de algo oculto ou ignorado.

A única diferença, e isso eu sabia, é que o termo delação é mais de uso jurídico

 Em que ficamos afinal?

priberam fala em proveito próprio.
A pergunta que coloco é: que tipo de proveito?
Parece que o busilis da indignação reside no ser premiada ou seja obter um ganho.



A biologia dos seres vivos, seja um grande simio ou um gato, diz-nos que têm como objetivo último obter prazer seja saciar a fome ou ter um filho nos braços assim como o prazer do psicopata em matar ou do masoquista a levar com o chicote.


Se tudo na vida tem como objetivo obter um ganho como se podem as pessoas indignar com a denuncia/delação por ter participado num crime seja a morte de alguém ou a corrupção e já não se indignam com a denuncia/delação de chefes hierárquicos ou situações de corrupção por funcionários ou colegas
nuns pode ser o prazer de abater um chefe corrupto pois "fico bem com a minha consciência", noutros o arrependimento (sentido ou não) por ter participado num corrupção ou no assassínio de alguém.


Em termos de mecanismo de funcionamento do ser humano não vejo diferenças entre ambas as situações




No fundo é uma questão de sobrevivência.

Não sei quem é mais predador pois no fundo em ambas as situações é uma questão de:
 prazer
ganho

controle
sobrevivência


Pode levar a abusos? Não tenho quaisquer dúvidas que pode mas para que tal não aconteça é necessário um corpo juridico claro e não como diz o Lobo Xavier "depende da interpretação" assim como toda a máquina envolvida numa investigação tem que ser idónea e ter os mecanismos adequados de modo a que consiga separar o trigo do joio.